quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

SOCIEDADE CONDENADA!


- Quando você perceber que para produzir precisa obter a autorização de quem não produz nada;

- Quando comprovar que o dinheiro flui para quem negocia não com bens ou serviços mas com favores;

- Quando perceber que muitos ficaram ricos pelo suborno e por influência mais que pelo trabalho e que a leis não nos protegem deles, mas, pelo contrário são eles que estão protegidos de você;

- Quando perceber que a corrupção é recompensada e a honestidade se converte em auto sacrifício;

Então poderá afirmar, sem temor de errar, que a SOCIEDADE ESTA CONDENADA!
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Ayn Rand – 1920 – Filósofa Russo Americana – Judia fugitiva da Revolução Russa que chegou aos Estados Unidos na segunda metade da década de 20, com conhecimento de causa.



COMENTÁRIO DE MARCOS FERREIRA:

A propósito vale meditar sobre esse texto de 1651 que destaca o risco implícito:

 PERDEU A MORAL E A AUTORIDADE DE GOVERNAR O PAÍS. MOSTROU-SE INCONFIÁVEL, DESONESTO E INCOMPETENTE. 

E deu no que deu:


"Quando os homens vivem sem uma autoridade central para impor o respeito, resulta uma guerra de todos contra todos. A vida em sociedade degenera para a guerra civil. Não há lugar para o trabalho, pois seus frutos são incertos. Não há cultura, navegação, comércio, construções, transportes, conhecimento, artes, literatura; não há sociedade e, o que é pior, haverá sempre o medo e o perigo da morte violenta; a vida do homem é solitária, pobre, desagradável” (...) Outra consequência da guerra de todos os homens contra todos os homens é que se perdem as noções de certo e errado, de justiça e injustiça. Onde não há poder constituído, não há lei; onde não há lei, não há injustiça. Nessa guerra de todos contra todos, nada é injusto.”

Thomas Hobbes. Leviathan, 1651
Via Maria Thereza Waisberg

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

O QUE NOS MOTIVA A COMPROMETER COM UM PROJETO?

A chegada de um ano novo, para a maioria das pessoas, é tempo de reflexão sobre o ano que passou e época para fazer novos planos, estabelecer metas, definir objetivos.  O olhar para o ano que findou traz, com frequência enorme, a constatação que a maioria das decisões do ano anterior se perdeu no tempo transcorrido e que muitas delas compõem o elenco dos novos propósitos.

Há algum tempo, Marcos Ferreira, meu amigo engenheiro, intelectual, estudioso da verdadeira natureza da mente e mestre em meditação, me levantou a questão sobre o que nos motiva a comprometer com um projeto ao comentar texto com o mesmo título postado por Leo Babauta (*) em seu blog que recebe mensalmente mais de um milhão de visitas (!).

Babauta que de 1973 até 2010 era fixado em metas e escrevia focado em produtividade e organização, após adotar um estilo de vida minimalista, passou a defender com vigor a tese do “no goals” (sem metas). A ideia central que defende é que “a melhor meta é não ter meta” (the best goal is no goal) e os argumentos são que livre das metas você se liberta para novas experiências, amplia seus horizontes, elas (metas) são irrealistas porque somos incapazes de prever o futuro, e por aí vai.

Pra lá de polêmico vai à contra mão de tudo que aprendemos, compartilhamos e praticamos e que é o senso comum: as metas são fundamentais em todos os aspectos de nossas vidas e não apenas nos negócios.  Em março de 2012 postei aqui, pela primeira vez, minha posição recorrente sobre metas e discordo totalmente da tese “no goals” que ele defende.

Mas se discordo por que levantar esse assunto aqui no blog que prega exatamente o contrário?

O fato é que Babauta, que tem outras ideias e colocações que são realmente muito boas sobre desenvolvimento de consciência, de comportamento e outros temas interessantes e, sobretudo, porque é um pensador seguido por milhões de leitores, nesse mesmo texto que Marcos Ferreira comenta, faz colocação lapidar sobre o que o motiva a se comprometer com algum objetivo (que ele faz questão de esclarecer que independe de estar ou não associado a alguma meta):

1.      Compromisso. Se (ele) esta comprometido a fazer algo para outra pessoa (tipo um sócio de negócio, um companheiro de ginástica ou para os leitores de seu blog).

2.      Um forte porque. Se ele realmente se importa com um projeto é porque tem uma forte razão para isso, como ajudar significativamente algumas pessoas ou beneficiar alguém com quem se importa ou, ainda, impactar sua vida de forma marcante. Esse porque evita que desista do projeto antes de concluí-lo.

Fantástico que esse formador de opinião, arauto do “no goals”, tenha esse pensamento a ponto de compartilha-lo com seus milhões de leitores.

Num ambiente de negócios repleto de incertezas, mudanças econômicas e práticas regulatórias, entre outras volatilidades, o uso intensivo de informações passou a ser a regra e a capacidade de coletá-las, interpretá-las e decidir a partir delas passou a ser crucial. Os trabalhadores do conhecimento de alto desempenho têm capacidade de priorizar, de trabalhar em equipe, de influenciar e tomar decisões. Possuem habilidade para resolução de problemas, agilidade de aprendizado, pro atividade e conhecimentos técnicos. 

Essas características dão a essas pessoas de desempenho superior capacidade de se adaptarem rapidamente às mudanças usando proativamente seus conhecimentos para identificarem prioridades e agirem para levarem adiante seus projetos. Asseguram também condições de trabalharem colaborando e influenciando outros membros da equipe espalhados pela estrutura e até dispersos geograficamente de modo que a organização como um todo seja mais eficaz.

Todos, gestores e colaboradores, precisam adquirir visão mais ampla do negócio que transcenda aos objetivos e metas individuais e alcance o desempenho da organização como um todo, isso significa se superar cumprindo suas metas e contribuindo significativamente para que outros cumpram as suas. A consequência é o aumento de receitas e resultados, quando não a própria sobrevivência.

O discurso é bom, mas como alcançar esse nível? Lógico que é difícil e aí até Leo Babauta, para quem, repetimos, a melhor meta é não ter meta, reconhece a necessidade de compromisso e de um porque para envolvimento em algum projeto.

Compromisso com cumprimento de metas e mudanças é uma característica marcante dos trabalhadores do conhecimento de alto desempenho. Pessoas que são os verdadeiros líderes e que compartilham esse compromisso aparentemente inesgotável e bem visível com as mudanças e o fazem porque acreditam piamente que o futuro da empresa depende delas. Entendem que sua participação é essencial para o sucesso da organização e envolvem-se com entusiasmo numa cruzada de satisfação pessoal.

É consenso que compromisso é o componente fundamental para cumprimento de metas e, ainda, que ele se estabelece a partir de um porque.

Victor Frankl (**), neurologista e psicanalista austríaco, fundador da logoterapia que é uma forma de análise existencial e é tratada como a “Terceira Escola Vienense de Psicoterapia” (sendo a Freudiana a Primeira e a Psicologia Individual de Adler a Segunda), e sobrevivente de campos de concentração nazistas, inclusive dos centros de extermínio de Auschwitz e Dachau, citava com frequência frase de Nietzsche: “Quem tem por que viver pode suportar quase qualquer como”.

Frankl, em seu período de prisioneiro nesses campos de concentração que se notabilizaram pelas barbáries que eram praticadas, cenários drásticos de fome, humilhação, medo, sofrimento, tortura e morte, realizou sessões terapêuticas nos seus companheiros de prisão com o propósito de “despertar num paciente o sentimento de que é responsável por algo perante a vida, por mais duras que sejam as circunstâncias, mesmo as mais miseráveis”.

Sobreviver, naquelas condições era encontrar um propósito na vida, e ninguém era capaz de dizer qual era aquele propósito; cada um tinha de descobrir o seu e aceitar a responsabilidade que sua resposta implicava. Quando todos os objetivos comuns da vida estavam desfeitos só restava a “última liberdade humana – a capacidade de escolher a atitude pessoal que se assume diante de determinado conjunto de circunstâncias”. Os que lograram êxito nessa busca pelo porque sobreviveram e continuaram a crescer a despeito de todas as indignidades.

A verdade é que não existe o “no goals”. Os propósitos, objetivos, metas sempre existirão em nossas vidas (podem ser relacionados ao nível de conhecimento, felicidade, etc.) e nos nossos negócios (resultados, geração de caixa, market share, etc.) sejam eles de que naturezas forem e para serem alcançados, conquistados é necessário muito compromisso, e compromisso é construído e consolidado pelo porque!

Esta é minha visão sobre o que nos motiva a comprometer com um projeto.
Fontes: (*) Leo Babauta - http://zenhabits.net/ What Really Motivates Us to Stick to a Project?
            (**) Viktor Frankl – Em Busca de Um Sentido: Um Psicólogo no Campo de Concentração. – Editora Vozes.

sábado, 20 de setembro de 2014

PLANEJE MELHOR E NÃO PRORROGUE PRAZOS

No mundo dos negócios, em que inapelavelmente todos vivemos, há constante pressão por cumprimento de metas e prazos e não há como fugir dessa realidade.
O ser humano, e em especial o brasileiro, tem tendência a procrastinar demais, basta ver a movimentação de última hora para entrega de declarações de renda, só para citarmos um evento que afeta milhões de pessoas e cuja pressão no limite do prazo fatal é pública e notória, ano após ano. Todos se lembram da correria de última hora para conclusão das obras da copa (embora nesses casos tenha havido influência de fatores de outras naturezas) e qualquer um que refletir bem vai recordar que aqui ou ali já procrastinou (o aqui e ali é para ser bem condescendente).
Com essa característica, quem é responsável por fazer as coisas acontecerem deve ficar atento ao cumprimento de prazos.
Heidi Grant Halvorson (*), escritora e palestrante americana, em um post em seu blog em meados de 2013, defendeu a tese que prorrogar prazos estimula a procrastinação e vale compartilhar sua linha de raciocínio pela recorrência do tema e credenciais da autora.
Ela argumenta baseada em pesquisas (embora não cite a fonte) que passada a sensação de alivio pela extensão dos prazos as pessoas têm enorme dificuldade em utilizar o tempo adicional com sabedoria e logo voltam a enfrentar o mesmo problema de pressão, de stress, de sensação urgência e ansiedade, só que aí já se perdeu o tempo ganho sem alcançar o objetivo projetado.
Questiona o porquê alongar cronogramas se perde tempo e cria problemas como, por exemplo, a perda de motivação. Justifica a afirmativa com conclusão de psicólogos do inicio de século passado que indicam que a motivação aumenta à medida que a distancia para alcançar a meta diminui. Isso ocorre no nível inconsciente e essa afirmação é verdadeira qualquer que seja o objetivo a ser alcançado e eu pessoalmente experimento essa sensação quando em minhas participações em meias maratonas sinto que ao aproximar da linha de chegada a motivação alcança o nível muito superior. Quando você alonga o prazo aumenta a distância da linha de chegada, a atenção perde o foco e há o risco de surgirem outras prioridades.
Outro problema que aponta é que o alongamento de prazo tira a pressão e estimula a procrastinação. Procrastinadores, até de forma inconsciente, argumentam que trabalham melhor sobre pressão.  Heidi Grant contesta essa posição, ninguém trabalha melhor sobre pressão. Isso não faz sentido algum. Na realidade a “pressão” a que se referem é aquele tempo suficiente para completarem a tarefa. Ou seja, se tiver pressão trabalham caso contrário não.
Um terceiro problema é a dificuldade de se avaliar o tempo necessário para fazer qualquer coisa. Os psicólogos definem esse fato como falácia de planejamento, isso pela tendência generalizada de se subestimar o tempo necessário para fazer o que precisa ser feito e também pela crença de que tudo vai dar certo e que imprevistos não vão ocorrer. Com frequência os tempos para completar tarefas intermediárias, e os possíveis atrasos nessas fases, também não são corretamente avaliados. Em consequências os cronogramas ficam condicionados aos melhores cenários que quase nunca ocorrem.  
Pense bem, se tudo isso é conhecido e traduz a realidade, não prorrogue prazos, planeje melhor!
Para isso, defina claramente as metas a serem atingidas e estabeleça metas intermediárias em prazos mais curtos para manter a motivação e facilitar os controles.
Na fase de planejamento identifique todos os problemas fundamentais a serem superados e analise suas causas e fatores que possam afetar a execução. Considere também possíveis cenários mais desfavoráveis e seus efeitos.
Coloque o plano em prática envolvendo todos os participantes da ação nos mínimos detalhes no âmbito de suas responsabilidades e estimule ao máximo o trabalho em equipe de modo que todos colaborem para que as metas individuais sejam alcançadas.
Acompanhe a execução das ações planejadas e faça com que as metas intermediárias sejam atingidas nos prazos definidos.
Introduza as correções que forem necessárias e padronize todas as operações.
A prática continuada dessa ação resultara na formação de profissionais de alto desempenho com capacidade de trabalhar em equipe, de definir prioridades, de consolidar a consciência organizacional e de agir proativamente e prorrogação de prazos e metas não alcançadas não farão parte de suas preocupações fundamentais.


(*) Heidi Grant Halvorson, PhD, é diretora do “Motivation Science Center” na Universidade de Columbia, palestrante e autora de livros de gestão de projetos, motivação e foco.

sexta-feira, 2 de maio de 2014

QUESTÃO DE SORTE?

No mundo corporativo ou na vida das pessoas sempre foi muito comum atribuir-se à sorte o sucesso alcançado.  Embora o fator sorte exista e não pode ser desprezado, essa ideia que o sucesso depende fundamentalmente dele decorre da tendência de algumas pessoas, ainda que inconscientemente,  diminuírem o mérito de conquistas alheias para compensar suas inabilidades em alcançarem resultados equivalentes.

A verdade é que os aparentemente “sortudos” têm atitudes que os colocam em posição de aproveitar todas as oportunidades que surgem e os resultados aparecem em consequência de suas ações.

Entre o muito que já se escreveu sobre isso, quero compartilhar algumas dicas que o escritor Kevin Daum (*) relaciona como sendo as cinco coisas que os “super sortudos” fazem e que podem lhe trazer muita sorte também.

            Foque nos seus pontos fortes – muito tempo e energia são desperdiçados tentando fazer coisas que provavelmente você não faz bem. Concentre no que você é realmente bom e faz bem, delegando todo o resto para outras pessoas ou encontre um parceiro que supra suas deficiências. Logo você verá as oportunidades que surgirão e os resultados que obterá.

2.           Antecipe-se, prepare-se com antecedência – Pessoas “sem sorte” são reativas e não se preparam para o que pode acontecer ou dar errado. Avalie todas as situações e cenários possíveis e se prepare para superar os obstáculos que surgirem. Importante é dispor de processo de tomada de decisão inteligente em face de imprevistos.

3.          Comece cedo – O dia parece ter mais horas para aqueles de começam cedo, mas o mais importante da dica não se refere apenas à hora que se inicia, mas sim não colocar o máximo da energia só em coisas que apresentam resultados imediatos. Fundamental é se preparar e semear com antecedência para colher os frutos na hora certa.

4.         Consolide network com o máximo de pessoas possíveis – O segredo do sucesso é o acesso a oportunidades e elas surgem em função da influência que você exerce sobre as pessoas. Quanto mais valor você entregar mais influência terá e seu alcance será mais longo. As oportunidades serão trazidas a você naturalmente.

5.         Pro atividade e follow up – As oportunidades surgem e desaparecem rapidamente.  As demoras de respostas e ações subsequentes são responsáveis pelo desperdício de oportunidades que surgem continuamente e suas perdas acabam sendo atribuídas à má sorte.

As credenciais do autor das dicas, Kevin Daum, recomendam que elas sejam consideradas seriamente.

Vale meditar...


(*) Kevin Daum autor de best sellers, colunista, palestrante, coach empresarial, produtor de “talk show” em rádio de New York. Fundou também, entre outras, empresa bilionária de serviços financeiros que participou da relação dos 500 maiores negócios americanos até ser vendida em 2007.

domingo, 19 de janeiro de 2014

O DESAFIO DE MOTIVAR SUA EQUIPE

O QUE UMA PESSOA PODERÁ SER DEVERÁ SER! (“WHAT YOU CAM BE, YOU MUST BE”)

                                                                                                                                                    Abraham Maslow                                           

Sem ousar me aventurar no campo da psicologia e suas escolas, e sem aprofundar no tema por falta de qualificação, quero compartilhar aqui algumas idéias e conceitos definidos por Abraham Maslow* (1908/1970), que ficou famoso por sua Pirâmide de Necessidades e seus estudos sobre crescimento e desenvolvimento pessoais e pelo uso da psicologia como instrumento de promoção de bem estar social e psicológico.

A Hierarquia das Necessidades de Maslow, exposta em sua obra “Motivation and Personality”, é um dos principais trabalhos relativos à motivação e é desenvolvido a partir da identificação de cinco níveis de necessidades que os seres humanos precisam para alcançar estágio satisfatório de saúde psicológica e que são organizadas, em sua representação, por uma Pirâmide segundo seu grau de importância crescente.

     
  • No nível inferior situam-se as necessidades fisiológicas como se alimentar, beber, dormir, reproduzir e trabalhar.
  • No segundo nível encontram-se as necessidades de segurança como ter abrigo e se sentir seguro.
  • No terceiro nível estão as necessidades sociais, de pertencimento e de amor. As necessidades de se sentir como parte do grupo e ser aceito.
  • No quarto patamar estão as necessidades de auto-estima, de se sentir bem a respeito de si mesmo e ser reconhecido por suas conquistas.
  • No quinto, topo da pirâmide, encontra-se a necessidade de "auto-realização", que é a necessidade de realização pessoal, crescimento e desenvolvimento.

A tese central do trabalho de Maslow é resumida na expressão:

 “What you CAN be you MUST be”– O que você PODE ser você DEVE ser!

Isso significa a necessidade do ser humano se “auto-atualizar” e viver de forma a expressar o máximo de suas potencialidades, talentos e capacidades conquistando grande saúde psicológica e altos níveis de bem-estar. O pintor deve pintar, o escultor esculpir, o músico fazer música, o empreendedor empreender, todos fieis às suas naturezas interiores e isso não é questão de capricho ou vaidade, mas sim de uma necessidade natural do ser humano.

Uma pessoa “auto-atualizada” seria alguém comum de quem nada foi tirado, ou seja, que alcançou seus sonhos e aspirações atingindo um nível de funcionamento melhor, mais saudável do que os homens e mulheres comuns.

Alguém criativo que tem boa percepção da realidade, aceita as mudanças e lida bem com o desconhecido; aceita a si próprio, é espontâneo e simples na forma de agir; é centrado e tem autonomia independente da opinião de outras pessoas. Mente aberta, humilde respeita os outros; mantém relações interpessoais profundas com círculos restritos de pessoas; ético faz o bem e não o mal; olha mais os meios que os fins. Preocupa-se com a “espécie humana” que vê como sua família.

A “auto-atualização” é o estágio máximo da satisfação das necessidades humanas e para evoluir nessa escalada da pirâmide o ser humano tem de satisfazer as necessidades do estágio anterior num processo de crescimento até alcançar o topo.

O compartilhar aqui essas idéias, como o leitor já deve per percebido, está vinculado à tese de que o fator humano é sempre crucial, é gente que faz acontecer e isso nos leva a procurar entender o que pode inspirar e motivar pessoas e equipes a desenvolverem o máximo de seu potencial.

Planejamentos Estratégicos e Planos de Negócios por si mesmos não são suficientes para alcançar esses resultados, precisam ser complementados pelo compartilhamento de uma visão comum, desenvolvimento de autoconfiança e entusiasmo. Os líderes precisam compreender que as pessoas não são iguais e têm diferentes necessidades e esses aspectos devem ser levados em conta no processo de motivação.

Salários adequados, local de trabalho seguro e bom ambiente, incentivos não financeiros, tratamento de “gente” motivam pessoas que buscam segurança.

Demonstração de respeito, procurar conhecer as pessoas, delegação de autoridade, reconhecimento, comunicação e envolvimento na tomada de decisões, encorajamento de idéias, elogios e celebrações dos sucessos motivam os que necessitam de estima.

Colocar novos trabalhos e desafios e apoiar para conclusão de novas tarefas, tornar o trabalho interessante, incentivar as pessoas a pensarem por si mesmas, fornecer informações, checar o que as motiva e oferecer o máximo de treinamento são os fatores que estimulam os que têm necessidades de crescimento.

Para os lideres é importante também saber identificar os sinais de desmotivação: acréscimo de afastamento por doenças, aumento do absenteísmo, atrasos, falta de comunicação, trabalho deficiente, atitude, frustração e, sobretudo, falta de entrega de resultados.

Os principais fatores de desmotivação de equipes são a falta de reconhecimento, a falta de envolvimento, a centralização, o não escutar, a falta de encorajamento, o tédio, o excesso de trabalho e de críticas.

Os verdadeiros líderes, com capacidade de planejamento e organização, de seleção e alinhamento do time, com habilidade no estabelecimento de metas e de gestão de complexidades mantendo o foco nos fatores críticos de sucesso e lidando com as incertezas, promovendo comunicação eficiente e eficaz, dominando e praticando esses fatores de motivação fazem a grande diferença e possibilitam a obtenção de resultados excepcionais tudo num ambiente em que todos são mais felizes e psicologicamente mais saudáveis.

Para fechar esse Tema para Meditação, quero compartilhar aqui também pensamento do escritor político Gilbert Chesterton** (1874/1936) que aponta o ponto crucial de todo esse assunto: - “... não é que eles não possam ver a solução. É que eles não conseguem ver o problema”.

Isso é muito sério! Bom meditar sobre o tema.
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(*)  Abraham Maslow (1908/1970) – Psicólogo americano, primeira geração de família judia que fugiu das perseguições na Rússia Czarista e que ficou famoso por suas teorias sobre a hierarquia das necessidades humanas e estudos sobre motivação.
(**) Gilbert Chesterton (1874/1936) – Teólogo, poeta, jornalista e escritor político com críticas mordazes tanto aos Conservadores quanto aos Progressistas no Reino Unido.

Fontes: Ka Tavares – Resenha crítica Abraham Maslow e a Psicologia da Auto-Atualização; Vasco Gaspar – Motivation and Personality (Abraham Maslow) What you Cam be you MUST be. Baseado num trabalho de Brian Johnson, Philosopher Notes.

                  

1.   

domingo, 15 de dezembro de 2013

FRAQUEZAS DE LIDERANÇAS OU CUIDADOS PARA NÃO SER AGENTE DE DESMOTIVAÇÃO

Ao longo de minha vida profissional, no Brasil e no Exterior, seja como executivo, empresário ou consultor, enfrentando situações mais diversas que resultaram em algumas expressivas vitórias e alguns frustrantes fracassos (... sim, eles inevitavelmente acontecem) aprendi algumas verdades incontestáveis e entre elas destaca-se o fato que é o fator humano que faz a grande diferença.
É gente que faz acontecer!
Essa crença tem sido tema básico de diversos textos desse blog onde tento compartilhar algumas idéias de como liderar, motivar e gerir pessoas. O saber lidar com gente não se restringe ao ambiente dos negócios, vai muito além deles e afeta até as relações que mantemos com o mundo, aí envolvendo família, amigos, igrejas, só para limitar ao mais óbvio do alcance de nossas atitudes e ações.
O fundamento dessas idéias até aqui compartilhadas tem sido apontar os pontos fortes de liderança para motivar gente a dar o melhor de si para alcançar resultados e ser feliz no processo, mas de repente me dei conta da importância de meditar sobre o que não fazer para desmotivar pessoas e ter de enfrentar as conseqüências devastadoras da desmotivação.
Com essa preocupação encontrei texto de autoria de David Peck (*) recentemente publicado em seu blog onde, depois de escrever mais de 650 artigos sobre pontos fortes de lideranças, preocupado com as razões que lavam lideres a falharem e consciente de que um mundo melhor depende de lideres melhores, apontou o que ele entende como sendo os seus pontos fracos e os resumiu como segue onde acrescentei detalhes que me pareceram pertinentes:
1 – Distanciando-se dos liderados, sendo arrogante e prepotente. Fazendo isso o líder desagrega, subutiliza, cala seus melhores colaboradores e acaba por perdê-los. Além disso, a arrogância muitas vezes leva a exagerar nas promessas e minguar as entregas de resultados. Lição a ser aprendida: ser mais sincero, mais autêntico, humilde e, ainda que possa ser desconfortável, mais vulnerável.
2 – Liderando para agradar aos outros, para ser aceito, simpático, querido, amado. Esses líderes tendem a focar mais em pessoas do que em resultados. Lição a ser aprendida: focar na obtenção de resultados, comprometendo-se e liderando outros a se comprometerem com metas, tomando decisões difíceis e assumindo com coragem as questões de desempenho.
3 – Liderança ditatorial, perfeccionista e hipercrítica.  As coisas acontecem, mas o custo pode ser o esgotamento pessoal e da equipe, o estado de atrito permanente se estabelece. A conseqüência é a redução do potencial de retorno com o tempo. Lição a ser aprendida: ser mais cooperativo, gentil, confiante na equipe, aceitar pequenas falhas e a diversidade de pensamento, delegar mais deixando o time evoluir e entendendo que em muitas circunstâncias o bom já é suficiente.
4 – Não entregar resultados desejados em tempo hábil. Os melhores líderes necessitam guiar as pessoas certas para alcançar os melhores resultados projetadas dentro dos orçamentos definidos. Lição a ser aprendida: concentrar-se mais nas tarefas, processos, pessoas e resultados do que em outras coisas, principalmente quando as metas estão em risco.
5 - Liderando com incongruência e hipocrisia. Não fazer o que se diz, ou dizer uma coisa e fazer o contrário. Lição a ser aprendida: O exemplo vale muito mais do que as palavras, pratique as ações certas antes de mostrar o caminho. Seja autêntico e fiel a si mesmo e aos seus valores e atue coerente com eles no trato com sua equipe e o público com que interage.
6 – Tendência a ser complacente, parar de aprender, excesso de investimento no "status quo", esquivar-se e ficar inacessível com freqüência. Lição a ser aprendida: Compreenda que desafios e lutas fazem bem para o coração e a alma e não devem ser evitados. Descubra o que ama e que lhe motiva na vida profissional, seja um novo trabalho, uma nova carreira, um novo negócio ou pelo menos a certeza de que ficar parado não é suficiente.
7 – Otimismo exagerado sobre pessoas, estratégias ou táticas - Apoiar pessoas de baixo desempenho por muito tempo. Lição a ser aprendida: Reconhecer a realidade de como as coisas “são”, ao contrário de como “poderiam” ou “deveriam” ser. Entenda que “lealdade” a causas ou pessoas de baixo desempenho pode provocar divisões e prejudicar a organização como um todo.
8 – Pessimismo exagerado sobre pessoas, estratégias ou táticas – Tratá-las como se fossem objetos a serem manipulados ou descartados facilmente. Lição a ser aprendida: Ser paciente com pessoas, estratégias ou táticas que se empenham, mas que requerem algum tempo maior para consolidar. Ter consciência que decisões difíceis podem ser necessárias se depois de reconhecidos todos os potenciais e dadas todas as condições de trabalho os resultados não forem entregues. Mas, em qualquer situação, o respeito é fundamental.
9 – Limitação de inteligência emocional: Problemas em entender uma ampla gama de sentimentos e permitir que eles  conduzam a posicionamentos conflituosos sobre si mesmo e outros. Lição a ser aprendida: fazer introspecção para entender mais claramente e trabalhar suas emoções e sentimentos para alcançar melhor equilíbrio emocional. Isso pode resultar em uma pessoa melhor em todos os sentidos.
10 – Falta de clareza sobre o impacto em outras pessoas, limitando a habilidade de influenciar, adaptar-se à cultura e se posicionar na estrutura organizacional. Algo como não conseguir fazer parte do grupo ou criar barreiras à integração, desagregar o time e não conseguir os resultados esperados. Lição a ser aprendida: É fundamental compreender que seu impacto sobre os outros pode ser mais importante que a maioria de seu trabalho. Se auto avalie e se corrija em tempo real procurando feedback de colegas e outras pessoas. Procure saber como esta se saindo, qual é seu papel, o que é necessário para melhorar. Tenha consciência que depois de desmotivar seu pessoal tudo será mais difícil e o preço a ser pago pode ser muito alto.
A tese central de David Peck é que executivos e gerentes trabalham duro para serem eficazes, mas alguns querem mais: trabalhar com mais significado, alcançar seus objetivos e serem mais felizes com seus trabalhos ou simplesmente serem lideres melhores.
Autoconhecimento é a chave para ir além de ser eficaz. De fato a grande liderança, a que faz a diferença, não começa do lado de fora, mas com a pessoa que você é. As crenças conduzem a sentimentos, crenças e sentimentos conduzem a ações, e essas ações conduzem a seus resultados.
O autor conclui que enfrentar esses problemas, ou ajudar alguém a fazê-lo, pode realmente contribuir para fazer do mundo um lugar melhor.
Vale meditar sobre o tema!
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(*) David Peck, Presidente de Leadership Unleashed  empresa de coach de executives de grande reputação internacional e autor do livro “"Beyond Effective: Practices in Self-aware Leadership" (Trafford Publishing) e do blog “Recovering Leader”.

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

EXPOSIÇÃO PROLONGADA À NEGATIVIDADE FAZ MAL AO CÉREBRO OU OS MALES DA MURMURAÇÃO!

A exposição contínua e prolongada à negatividade faz mal ao celebro é o que afirma o empreendedor Trevor Blake (*) em seu livro “Three Simple Steps: A Map to Success in Business and Life” onde descreve como neurocientistas, medindo a atividade cerebral diante de vários estímulos, identificaram que neurônios no hipocampo do cérebro descascam quando expostos a 30 minutos ou mais de negatividade, inclusive via TV.


O hipocampo é a parte do cérebro utilizada para resolver problemas e as conseqüências desse processo podem ser bem devastadoras. Encurralado ouvindo queixas, reclamações e lamúrias a tendência é que você passe a se comportar dessa maneira também, pode ficar mudo e o cérebro amolecer!

Drástico. Bom é ficar longe dessas situações.

Mas se você é gestor de alguma organização qualquer precisa ser informado de tudo que esta errado com ela. Ocorre que há grande diferença entre chamar sua atenção para o que esta ou pode dar errado e reclamações e queixas negativistas. “Normalmente as pessoas que estão se queixando não querem uma solução, querem que você endosse e se alinhe a causa delas”. “Isso pode danificar o seu cérebro ainda que você seja apenas um ouvinte passivo. E se você tentar mudar esse comportamento vai se tornar o próximo alvo da queixa”.

O Autor recomenda três medidas para “proteger seu cérebro”:

·             Afaste-se, mantenha distância.

Afaste-se das pessoas negativas que estão sempre reclamando e se queixando de tudo e de todos. Para proteger seu cérebro e evitar ser contagiado, se for possível, afaste-se mesmo!

·             Peça ao queixoso para resolver o problema.

Peça ao reclamante que indique uma solução para o problema e que assuma a responsabilidade por sua implementação. Nesse ponto muitas pessoas se afastam ofendidas porque não obtiveram o que queriam de você, mas algumas podem realmente tentar resolver a questão o que é um avanço em termos de comportamento.

·             Use um escudo protetor.

Quando confrontado com situações de queixas, reclamações e murmurações que não possa evitar use técnicas mentais para se proteger. Crie uma “bolha” mental e refugie-se nela. Desvie seu pensamento para outras coisas evitando ser atingido e perturbado pelas murmurações. Blake cita como exemplo, entre outros, o caso do falecido golfista espanhol Steve Ballesteros (**) que extremamente hostilizado pela multidão que assistia a uma partida sua contra o americano Jack Nicklaus (***), e que queria a sua derrota, se refugiou numa dessas “bolhas” mantendo a tranqüilidade e alcançando a vitória. 

Independente desse assunto de deterioração do cérebro exposto continuamente a queixas e reclamações proceder ou não, o fato é que a murmuração é tão danosa que a própria bíblia a relaciona como pecado sério e trata dela em diversos versículos de vários livros.

Em Colossenses 3.12 trata dos pais que murmuram por causa do comportamento dos filhos, em vez de corrigi-los; em 1 Pedro 3.1-7, dos casais que vivem murmurando um do outro; em Efésios 5.25-28, de membros que murmuram a respeito da sua igreja; em Êxodo 15.24, 16 e 17 narra a travessia do deserto conduzida por Moisés onde o povo hebreu murmurava por ter fome, ter sede, por querer carne, e muitas outras lamúrias. 

Na minha visão, o problema maior do negativismo, queixas, reclamações e murmurações não é com quem fica exposto a essas situações, mas sim com quem assume esses comportamentos. Essas posturas não levam a nada além das frustrações de não realizar coisa alguma.

Avaliem o despropósito das murmurações dos hebreus depois de vivenciarem o maior milagre coletivo da história, a travessia a pé enxuto do Mar Vermelho e o aniquilamento posterior do exército egípcio, serem dominados pelas lamúrias por falta de água para beber. Precipitaram e murmuraram, foram beber água de fonte amarga!

A murmuração torna a vida amarga, causa divisões, acaba com relacionamentos e amizades, paralisa o trabalho e, pior, anula a promessa. O vagar dos hebreus pelos 40 anos no deserto comprova bem  isso.

A cada um de nós cabe vigiar e cuidar para que, mais de que deteriorarmos nossos cérebros ouvindo queixumes negativos, não nos transformemos em murmuradores negativos.

Vale meditar...
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 Fontes: Minda Zetlin escritora de tecnologia e negócios co autora de “The Great Gap”; Trevor Black – “Three Simple Steps: A Map to Success in Business and Life”; Mensagem da Igreja Batista Nova Jerusalém em Abril 2009.

Notas:
(*) Trevor Black empresário inglês na área farmacêutica e biotecnologia; inovador no lançamento de diversos medicamentos para doenças raras.
(**) Steve Ballesteros espanhol jogador profissional de golf que ganhou mais de 50 torneios internacionais ao longo de sua carreira e foi uma das maiores figuras desse esporte muito popular na Europa e Estados Unidos.

(***)Jack Nicklaus americano jogador profissional de golf e um dos maiores expoentes dessa modalidade esportiva tendo conseguido recorde de vitórias em torneios que permanece até hoje.